Futuro quente

ISTOÉ antecipa os números do mais completo estudo sobre as condições climáticas do País, que deve ter temperatura média até 6°C mais elevada em 2100

Ana Carolina Nunes

“Não queremos fazer uma previsão apocalíptica sobre as mudanças climáticas no Brasil. Nossa intenção é alertar para o impacto grande que elas podem provocar em termos sociais e econômicos”, diz José Antônio Morengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), sobre o 1º Relatório de Avaliação Nacional de Mudanças Climáticas no Brasil (RNA1). O documento, resultado do trabalho de 345 cientistas, será apresentado na segunda-feira 9, em São Paulo, durante a Conclima, conferência nacional que reunirá a elite de pesquisadores brasileiros sobre o assunto. Apesar do cuidado do pesquisador em evitar o apocalipse, os dados que ISTOÉ adianta com exclusividade assustam.

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EXTREMOS
Mudanças climáticas no País provocam desertificação até em Cristal do Sul, RS

A começar pela temperatura. O estudo prevê que chegaremos ao final deste século com temperaturas de 3ºC a 6ºC mais quentes. Essa elevação produzirá situações climáticas extremas, com chuvas em excesso de um lado e seca do outro, com estragos para a agricultura, pesca e produção de energia, por exemplo. A saúde da população também não escapará ilesa. A região Nordeste será uma das mais prejudicadas. A frequência de chuvas pode diminuir até 40%, levando a um aumento da desertificação. “Até 2070, o rio São Francisco poderá ficar 25% menor”, diz Hilton Silveira Pinto, diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp. A confusão climática será desastrosa para a agricultura. Até 2050, a soja terá perda de produtividade de 24%; o milho, de 16%; o café, de 9,7%; o arroz, de 7,5%; e o algodão, de 4,7%. Traduzindo em cifrões, o prejuízo será de R$ 7,4 bilhões em 2020 e de R$ 14 bilhões em 2070.

Os riscos à saúde começam pelo sistema respiratório de quem vive em grandes cidades. A umidade mais baixa favorece a concentração de CO² na atmosfera. Em regiões afastadas, chuvas ainda mais escassas significam menos água limpa disponível, o que impulsiona a contaminação dos alimentos e, consequentemente, casos de diarreia aguda. Já chuvas em abundância provocam enchentes, que disseminam a leptospirose, doença causada pela urina dos ratos.

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AGUACEIRO
Sul e Sudeste devem se preparar para o aumento de enchentes

O relatório traz não só o futuro, mas as mudanças já ocorridas neste século. Desde 2000, há queda na produção de café, soja e milho e a perda expressiva de biodiversidade: 47% no Cerrado e 44% na Caatinga. Outro dado curioso do estudo é a migração de culturas. “Alimentos que antes eram cultivados só no Nordeste começam a aparecer no Paraná também”, conta Jurandir Zullo Junior, pesquisador do Cepagri e da Embrapa. Esse levantamento não é coisa de pesquisador alarmista. Apresenta o que está acontecendo. Agora. E vai piorar.

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Fonte: ISTOE Independente

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Publicado em 23/09/2013, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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